MIT testa sistema revolucionário de energia nos Açores

Sexta-Feira, Dia 21 de Novembro de 2008 as 17:46

Galp, EDP, Martifer e Efacec trabalham com o MIT no projecto de um novo sistema energético. Investimento pode chegar a 300 milhões.

 

Entre 200 a 300 milhões de euros vão ser investidos na ilha de S. Miguel, nos Açores, naquele que vai ser o primeiro passo para testar um novo “paradigma de sistemas energéticos”. O programa, com o nome de Green Island, está a ser desenvolvido em parceria pelo MIT Portugal e por quatro empresas (EDP, Galp, Efacec e Martifer). Paulo Ferrão, director nacional do MIT, explicou ao Diário Económico que o objectivo do Green Island é criar “um sistema energético que aproveite ao máximo as energias renováveis, através de redes inteligentes, que permitem a cada agente armazenar e gerir a compra  e venda de energia a cada instante”. Um dos grandes objectivos passa por diminuir os consumos, através da criação de sistemas inteligentes. Ou seja, o MIT, em colaboração com as  empresas, pretende criar tecnologias que permitam uma melhor distribuição da energia, eliminando perdas da rede e diminuindo os consumos.

 

Assim, e numa primeira fase, Galp, EDP e Martifer vão investir nas renováveis, de forma a aumentar a  produção. Efacec e EDP devem ficar responsáveis pela construção de redes eléctricas inteligentes, enquanto a Martifer quer desenvolver sistemas de armazenamento de energia.

 

Paulo Ferrão acredita que no início de 2009 todos os estudos devem estar concluídos e que os primeiros investimentos terão de ser feitos já no próximo ano. De resto, o MIT quer resultados, com “demonstrações validadas”, num prazo máximo de três anos. Aí, o objectivo é “levar clientes aos Açores e dizer isto funciona”. E, com o modelo comprovado, existe um “potencial de negócio muito grande” para as empresas portuguesas que participam no projecto desde a sua criação. Estas vão poder “vender equipamento e os sistemas de gestão inteligente” desenvolvidos no âmbito do Green Island.

 

Entre estes equipamentos, Paulo Ferrão dá alguns exemplos. De forma a eliminar picos de consumo, estão a ser desenvolvidas tecnologias de informação que “dêem indicações aos equipamentos para se ligarem e desligaram”. A instalação de microcogeradores nos edifícios, que além de produzirem energia eléctrica produzem calor para aquecer as casas, e de painéis fotovoltaicos são outra opção, o que significa que os edifícios deixam de ser “passivos para também fornecerem energia à rede”. 

 

Paulo Ferrão considera que está é a aposta correcta para as empresas nacionais, até porque as tecnologias de produção de energia eólica ou solar já estão desenvolvidas. “O que podemos fazer é agarrar grandes partes do ‘software’, da gestão do sistema”, diz o responsável que acredita que “apesar de muito complexo” este novo sistema integrado pode vingar. Isto porque na sua base tem conceitos muito simples: “tornar o consumo e a produção mais sustentável, aumentar as renováveis e racionalizar a distribuição e a procura, fazendo uso das tecnologias do conhecimento”. Os ganhos podem ser imensos, quer económicos quer ambientais. E em caso de sucesso, o MIT terá o seu objectivo cumprido, a criação de “uma rede com inteligência portuguesa que pode ser vendida” para todo o  mundo.

 

Fonte: Diário Económico

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